Natal

December 5th, 2008

É quando se para e olha, assim, frio e distante que se percebe o quão idiota realmente somos.

Quando crianças, fomos ensinados que um velho gordo miraculosamente aparece em todas as casas do mundo, pela chaminé, trazendo presentes.

Com o tempo percebemos, com ajuda de fatores como “eu não tenho chaminé” ou “eu moro no oitavo andar de um prédio de onze andares”, que essa história do Papai Noel é muito mal contada. A gente vai pra shoppings e vê um idiota sentado em cada canto, gordos, magros, com barbas de algodão grudado em cartolina (tenha dó, eu fazia melhor no colégio). Tudo isso nos leva à inexorável conclusão de que “Papai Noel é o meu ovo” (talvez não com esse linguajar, mas com certeza se soubessemos essa expressão quando descobrimos que ele não existia, a teríamos utilizado).
Envelhecemos, casamos (ou não) e temos nossos filhos. O que fazemos?! Contamos a mesma história idiota de um velho gordo bêbado (ou você realmente acha que ele passa blush no nariz e bochechas?) que se traveste de vermelho e sai por aí seduzindo criancinhas com presentes na noite do dia 24.

Isso apenas mostra como somos controlados pela mídia. Somos ensinados que é lindo as crianças imaginarem um velinho bondoso que distribui presentes, que é importante para a imaginação deles. Que é importante que eles tenham fantasias deste tipo. Alguém discute isso?! Porque é importante uma criança imaginar o Papai Noel como verdadeiro?! Qual diferença isso pode fazer na vida de uma criança a não ser frusta-la o dia que ela descobre a verdade?!

Esquecemos por alguma razão o momento em que deixamos de acreditar no velho. Psicologia poderia explicar isso como um bloqueio emocional ou trauma emocional (psicologos de plantão podem depois colocar o termo correto nos comentários). Os poucos que lembram, não atrelam isso a lembranças boas (fora um amigo que viu seu primeiro peito nu neste dia - talvez a razão pela qual ele não se esqueça da data).

Isso tudo serve apenas para movimentar o comércio, que precisa queimar os estoques no final do ano, tendo em vista que novidades estão pra chegar. Para se aproveitar dos menos esclarecidos e força-los a gastar o décimo-terceiro salário suado que serviria para pagar as taxas anuais em bobagens fúteis. É assim que funciona e sempre funcionou. Podíamos iniciar um movimento para abolir o pedófilo beberrão e sua mania de seduzir crianças com presentes. Na minha opinião, lugar de Papai Noel é na cadeia.

Pronto, falei.

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