Fim de ano
O fim do ano está aí. Aquele mês onde as pessoas, ansiosas para tirar suas férias coletivas passam o tempo inteiro comentando sobre o que vão ou não vão fazer nas férias. Com quem vão passear, pra onde vão, quem vão traçar e por aí vai.
Queria saber o que muda em dezembro. As vezes penso que existe um pequeno botão biológico ativado nesta época, provavelmente em sincronia com o calendário gregoriano, que transforma as pessoas em criaturas ainda mais insuportáveis. Se eu passei um ano inteiro sem querer saber das suas aspirações pessoais, o que você acha que mudaria em dezembro para fazer-me interessado?
O fim do ano é apenas um prefácio para o que está por vir. Dentro de um mês, essas criaturas invadirão os escritórios, com uma falsa sensação de renovação, vomitando de forma incongruente os acontecimentos dos últimos dez dias do ano. Alguns inventarão histórias tão fantasiosas que se tornam quase plausíveis, outros, um pouco mais suscetíveis à frustração de não terem conseguido fazer tudo que planejaram contarão somente as coisas que conseguiram fazer. Mesmo assim, uma diarrea verborrágica incontrolável. A cutis, queimada e destruida pelo sol se desfazendo, uma trilha de pedaços de corpos - pelo menos os ácaros terão um motivo para alegria.
No final de janeiro, as poucas criaturas ainda usando suas mascaras de felicidade teatral começam a se dar conta de que a única coisa que mudou no mundo são os preços. O IPTU venceu, o IPVA chegou, o seguro do carro, da casa, matriculas, mensalidades e material escolar também precisam ser pagos além de todas as outras contas.
Em fevereiro a frase repitida exaustivamente no final de janeiro, “esse ano eu vou economizar meu 13o para pagar as contas de janeiro”, perde força. As pessoas se dão conta de que existe um novo motivo para viver, afinal o carnaval está aí. São 5 dias de bebedeira, putaria e gastos incontroláveis de dinheiro.
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