Palavras ao vento
“Se você comer tudo, gente nada na piscina depois do almoço!”
E lá íamos nós, comendo todas as ervilhas (ou petit pois para alguns), mesmo que não gostássemos delas. O pior não era comer as ervilhas e sim, depois de ter se empanturrado de vegetais, verduras, leguminosos fervidos e tantas outras coisas repulsivas para uma criança, ouvíamos algo como:
“espera um pouco, você acabou de comer, precisa fazer a digestão. Dentro de meia hora a gente entra na água”.
Puros, inocentes, desprovidos dos calos da decepção, nós reclamávamos ainda com uma ponta de esperança de que as nuvens negras e carregadas de raios que se aproximavam ficariam longe o suficiente para que pudéssemos entrar na piscina, mesmo que no fundo de nossos pequenos corações, sabíamos que meia hora seria exatamente o tempo necessário para os primeiros relâmpagos rasgarem o céu com sua magnificência luminosa.
Porque comíamos aquelas ervilhas e todas aquelas outras coisas?
Será que realmente acreditávamos que, se comêssemos tudo mesmo, a piscina ficaria melhor? Tínhamos medo de dizer não e ficar ouvindo horas de sermão? Ou a pureza de nosso espírito nos cegava ao fato de que nossos pais não queriam ter que entrar na água porque estavam se divertindo conversando com as visitas?
As palavras serviam apenas para acalmar os ânimos de nós crianças. Deixar-nos quietos por mais alguns minutos. Palavras ao vento.

alert! alert!
starting to sound like bob dylan…
Nossa… não precisava desmoralizar em público!